1 dia, 15 bandas.

No dia nove de agosto tive o enorme prazer de participar de um verdadeiro curso intensivão sobre bandas brasileiras contemporâneas. Tratou-se do encerramento do Locomotiva Festival, em sua quarta edição, na cidade de Piracicaba/SP. O festival contava com três palcos, espalhados por um extenso espaço, metade gramado, metade construções (aparentemente) de uma antiga fazenda. Acabava um show em um palco, já dava pra ouvir que tinha outro começando, houve apresentações simultaneamente também. Neste ritmo, ocorreu o inevitável, e perdi alguns shows. Mas, fica abaixo o registro (e a dica!), sobre as belas bandas que vi.

Logo que cheguei ao local, já fui surpreendido: som de violas caipiras e vocais vibrantes do show de Toninho da Viola, uma celebração à história da música de Piracicaba, um dos berços da sonoridade sertaneja no Brasil.
E aí, logo que acabou-se a apresentação das violas, segui o caminho da música e cheguei ao suave show da Brvnks, de sensações, agitações e vocais serenos e sensíveis. Mas logo em seguida já me vi nadando em um daqueles caldeirões de sopas ferventes, cheias de legumes e temperos picantes, do show da Aminoácido. Psicodelia de contratempos, ironias e uma sincronia fina entre a rapaziada!
Tuyo foi uma baita banda que o festival me apresentou. Já tinha dado uma espiada nos belos clipes, e a apresentação ao vivo é mais impactante ainda – é desse tipo de impacto, postura, arte que o brasil precisa. Mas aí escorreguei pro palco de dentro, e, novamente, caldeirão fervente! BlackMantra, e aquelas fusões de musicalidades e ritmos, com metais, guitarras, doideras envolventes, groove. Se você não tá sabendo dessa banda, e gosta de música cheia, muitos elementos, dá uma sacada.
Ainda bem que havia farta venda de alimentos e bebidas no local, o corpo já pedia por alimentação e hidratação cervejeira quando optei por acompanhar a pertinente e feroz eletricidade do show do duo Muñoz. E, logo em seguida, não consegui tirar os olhos do trio The Baggios, com guitarra, bateria, sintetizador e vocais envolventes que evocam raízes sinceras. Show muito bom, de uma banda que tem viajado bastante para praticar o som, e o faz com empolgação, refinamento e vestuário impecáveis.
Teve também Terno Rei, endossando o time da música em baixos BPMs e poesia. Intensidade e leveza numa relação bem íntima…
Talvez tenha embaralhado a ordem das bandas ao longo do texto, vi um show de muita precisão nas referencias clássicas de hard core e punk rock da banda Happy Cow, mas não me recordo se foi mais cedo ou mais tarde. Era muita banda, muito som acontecendo. Mas não descarto que possivelmente essa sensação seja resultado do efeito Maguerbes, uma das bandas mais clássicas do interior paulista, em um dos últimos shows da turnê de 25 anos. É riffão e mensagem positiva, correria, abraços e beijinhos, uma delícia de clima!
“Vou ali…”, não fui. Já havia uma concentração bem grande de gente para o show da Francisco, el hombre, e achei um canto para assistir a apresentação. Mas, ledo engano: você não assiste esse show, você participa dele! Abre roda, fecha roda, olha pra quem tá do seu lado, se junta, dança, dá uma corridinha, toma um tombo, levanta sorrindo. Tudo isso com boas doses de “Respira fundo, tá tudo pegando fogo, mas vamos enfrentar juntos!”.
Novamente, “Vou ali…”, queria parar e calcular quantas bandas havia visto ao longo do dia. Novamente, não rolou, pois já acontecia o show da Violet Soda, banda que reune um monte de gente talentosa que você já viu por aí. Roque melodioso, dançante, baixão marcando tudo certinho, guitarra daquele jeito!
Confesso que assisti ao show do Jonathan Ferr e da Hate Moss já com metade do cérebro desligado – o que foi um pecado, uma vez que sonoridades repletas de experiências poderosas. O corpo não reagia. Sentado, acompanhei aquela movimentação de começo de fim de festivalzão. Pessoal dormindo caído no chão, outro com o corpo esticado em bancos, muitos tomando uma série de saideiras. E, no momento em que me aprumei para sair, começou a saideira do Locomotiva: Maikão.
Intensivo demais passar onze horas dentro de um lugar e vivenciar isso tudo de música, encontrar amigos, amigas, comparças de bandas, de viagens… Locomotivaça! Procure conhecer essas bandas do texto, pode confiar na galera que montou o line do fest! Que venham mais edições do Festival, e que outras locomotivas e vagões fomentem com tanta diversidade e diversão a música independente brasileira. “Bão demais!”, como dizem em Pira.

Por | 2019-08-20T13:22:41-03:00 19 agosto - 2019|Rolês|