Macaco Bong, Odradek & Adoniran Barbosa. Macaco Bong, Odradek & Adoniran Barbosa. por: Gabriel Coiso 28 de julho de 2018

Sala Adoniran Barbosa, Centro Cultural São Paulo (CCSP), um dos melhores lugares nesta vasta cidade de São Paulo para se curtir música ao vivo. Para quem não conhece o ambiente, é amplamente recomendável verificar a agenda do CCSP, escolher um show e ir lá. Chegue cedo, dê um passeio pelas sempre boas exposições de artes visuais, uma volta pela biblioteca e pela discoteca também são recomendáveis. Se chegar com o dia ainda claro, não deixe de subir até o último andar e dar um passeio pelos jardins, espantar-se com o som do trânsito frequente e ininterrupto da Avenida 23 de Maio. E depois, claro, Sala Adoniran Barbosa.

Este espaço que, na noite de 26/07/2018, entupiu-se de gente para os shows do Odradek e do Macaco Bong – ou como disse um rapaz afinado nas criatividades: “Odrabong, Macacodek”. Um dos pontos mais bacanas da sala é poder assistir aos shows ora de cima, em uma marquise quadrada, que circunda o palco, ou lá em baixo, praticamente no mesmo nível do palco – que tem cerca de dez centímetros de altura.

Macaco Bong e Odradek acabaram com essa dinâmica: “Quem subiu não desce mais”, me falou a segurança ao impedir que eu voltasse para o andar do palco. Casa cheia mesmo! Cheia e vibrante.

Quem já conhecia Odradek se deliciou com a música afinadamente desforme dos piracicabanos, quem não conhecia se embasbacou, arrebatou, espantou, chocou. Haja vista o verdadeiro levante popular ocorrido ao término do show rumo à banquinha com os CD’s e camisetas. Odradek: se você gosta de música criativa, de arte sonora, de progressões, efeitos, contratempos e poliritmias (nem sei se isso existe), tem uma banda para saborear bem aqui.

Quem já conhecia Macaco Bong, bateu a nave, quem não conhecia, também se feriu com a colisão. Um dos grandes nomes do rock instrumental brasileiro, apresentou o show do último CD, intitulado “Deixa quieto”, uma releitura do antológico “Nevermind”, da banda que é uma das maiores referências do rock de todos os tempos – pessoalmente, para mim, a maior. Confesso que quando fiquei sabendo do lançamento torci um pouco o nariz, “Pô, justo os caras que me abriram os ouvidos pro rock instrumental fazendo cover…”. Mas já o destorci logo na primeira audição, pois não são covers, são reconstruções, remodelagens, resignificações cheias de… Macaco Bong! Aí juntou meu maior referencial de rock com uma grande referência de instrumental e quase torci o nariz de novo: enquanto pulava como um doido no fundo do salão, tropecei numa case de bumbo e quase dei de cara com o chão. Delicie-se com esta fusão de dois grandes primores sonoros aqui.

Depois, acabados os shows, pontualmente às 22:45, corremos para pegar o metrô às 23 horas, só pela graça de pegar o trem das onze depois de jantar música na sala Adoniran Barbosa.

Ah, é importante dizer: os shows foram parte da agenda de Julho do CCSP, especial, pois celebra o “Mês do rock” levando uma série de shows de bandas contemporâneas, autorais e nacionais. A considerar a lotação do espaço para esta noite (e, fiquei sabendo, nos demais que ocorreram ao longo do mês), é bem provável que o projeto se repita em 2019 (se houver 2019).

2018-07-27T22:47:58-03:00

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Artista, Agitador, Vendedor, Acadêmico, Professor, Corintia.
Post Date
julho 27th, 2018
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