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O muriqui, o canindé e o jagüarundí

Todo dia o muriqui descia no meio das capivaras para buscar os frutos caídos e levá-los aos filhotes, vinha sempre no mesmo momento do dia, calmamente passando entre as capivaras, mais sossegadas ainda, coletando os frutinhos sem temer nada, sob a sombra de um grande araçaizeiro. O muriqui não notara que havia algum tempo um jovem jagüarundí circulava pela região, esperando o melhor momento para atocaiar uma presa do tamanho de suas capacidades.

O canindé e sua família apareciam diariamente com estrépito e coloridamente, ele ralhava com todos os bichos, indo busca ora um coquinho, ora um frutinho, se aproximava, se afastava dos outros, mas muito observador sabia exatamente quem fazia o que, como e quando. Ao muriqui que passeva entre as capivaras disse:

Amigo, estejas atento, pois um bicho feroz quer te pegar.

Ao jagüarundí vinha a cada dia lhe contar quais eram as feras e pequenos animais que frequentavam aquele sombreado recuado alguns metros de uma ribeira verdejante. Dava detalhes e conversava sem parar, pois outra não era sua natureza, entretinha o jovem jagüarundí, que de início se entediava, no entanto, aprendeu as lições espontâneas dadas pelo canindé:

Observa, jovem fera, que aquele muriqui vem sempre à mesma hora, já lhe disse que aqui é perigoso, que ele precisava ser mais desconfiado e astuto. Agora vê ali, ele continua, vem todo dia, desce todo dia, pega os frutos, é uma presa fácil fácil, o que pensas?

Atentando ao que dizia a ave espalhafatosa e observando o muriqui, o pequeno felino conseguiu finalmente morder o pescoço do canindé, matá-lo e comê-lo.

Quando Pedro me fala de Paulo, sei mais de Pedro do que de Paulo.

Foto de Danilo da Costa Leite

Danilo da Costa Leite

Tenho um único caminho, embora desconhecido, tenho uma saída sempre inesperada, estou em toda parte, mas vou só. Quem sou?
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