Quipã Quipã por: Cauê Drumond 19 de dezembro de 2018

Preliminar.
Tua cara de preguiça.
Teus lânguidos lumes.
Tua boca esboçando uma lenta fome que se coça.
Se aproa do teu peito uma quentura desmedida.
Começo a recolher os dedos de meus pés:
eis o monstro invertebrado embaixo da chama
que alastra-se em segundos;
aqui estamos banhados em álcool
e o sono afugenta-se entre ritos de partida.

Ergui o braço como um afogado se despede
(ou pede socorro). Engoli a melosa bala da ufania.

Teus lábios reflorescidos de quase outubro
enobrecem os dois talhos resultados da lassidão
das tuas noites.
O balanço do barco me faz náusea ao bailar em meu colo
do marulho de tua voz prestes.
Confundo as cicatrizes e lambo as feridas –
Cão famélico! Maldito cão famélico.
O latido preso na sala amarrando nossas respirações
girando a voragem
no meio de tudo
procuro motivos, sonhos, piedades,
sádicos jogos em volta da bomba.
Me engano minguando o satélite lustroso que descobre a avidez
e exaspero o áspero querer.

Diabinha! Recria brilhos e dores – cozinha-os.
O vapor embaça a lente dos luzeiros
e navegamos na escuridão do tempo.

_ Teus olhos estão maiores.

O anseio da fuga apequenado pela diluição das certezas.
A loucura rouba a moral da sinceridade e detenho-me
a derrubar próximos trechos,
desenho n’água outras partes tuas
e a razão corre pela culatra…

Meus lânguidos lumes…

Ultrapassei.

 

2018-12-19T09:12:01-03:00

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Posted by
Ator, gestor de espaço cultural, compositor, zé cirrose, canto, arranho, rabisco, sou vagabundo, pseudo poeta e já brinquei de varal com formigas.
Post Date
dezembro 19th, 2018
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