Quipã

Preliminar. Tua cara de preguiça. Teus lânguidos lumes. Tua boca esboçando uma lenta fome que se coça. Se aproa do teu peito uma quentura desmedida. Começo a recolher os dedos de meus pés: eis o monstro invertebrado embaixo da chama que alastra-se em segundos; aqui estamos banhados em álcool e o sono afugenta-se entre ritos

Cerrado brim corrente

Existem só dois dias e duas noites Eles se intercalam entre os muros Daquele dia em que me ouço Daquele que me despeço de mim Elas, entre o desespero e o abraço, Minguam luares, despedem cetim Sacodem o tempo e bailam Sonâmbula fratura crivado delírio Moribundo corpo e consciência E é tudo incessante, perene inconstante

Diário do Silêncio

Primeira Parte - SÚCUBO. Ontem, imaginei-me súcubo. Espreitando teu sono na véspera de uma tola meia noite. Percorrendo cada desgraçado contorno que teu corpo faria despido na cama. Na surdina. Invisível. Cada espaço vago. Cada curva. Por duas ou três vezes. Passaria minha boca na pele e guardaria inflamado nas narinas o seu cheiro. Súcubo.

Pensações X

Vamos todos gritar para as inúmeras redes as mazelas do mundo Vamos militar dentro dos apês, nos sofás e bradar a pena aos quatro cantos Não espere o grande irmão te pegar, ele já o fez Moralizar todos os cantos do mundo Chamar de ressignificação o fascínio por punir Puna-me! Puna-me! Já sensação Do superado

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